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My Life.
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"Sentada no chão gelado do meu quarto, ouço vozes gritando em meus ouvidos “acabe com tudo de uma vez, você é inútil e ninguém vai sentir sua falta”, e as lâminas estavam ali do meu lado implorando que eu as usasse. Meus pensamentos confusos e torturantes não me deixavam em paz. É hora de pegar a lâmina. Posso sentir o sangue escorrendo, e automaticamente um alívio mas que não me parecia o bastante, e que aliás, não era o suficiente, eu precisava de mais. Permaneci sentada ali por mais alguns minutos, pensando em tudo e no que fazer, e vejo que não existem motivos para continuar vivendo, porque eu já estava morta por dentro há muito tempo. Eu era fraca e inútil demais para não desistir, ninguém se importava mesmo, então, que diferença faria? Me levanto, e vou pegar uma folha de um caderno velho cheio de rabiscos, que eu sempre escrevia textos mais ou menos como esse, porque já esperava o fim há muito tempo. Então, eu começo a escrever naquela folha onde minhas lágrimas caiam: “Papai e mamãe, provavelmente, quando algum de vocês ler essa carta, eu já estarei em um lugar bem longe daqui, e provavelmente, vocês devem estar se perguntando porque eu fiz isso, não é? Mas por favor, eu não quero que se sintam culpados, a única culpada da história sou eu… Eu só quero pedir desculpas por não ter sido a filha que vocês esperavam que eu fosse, quando eu ainda era uma menininha, talvez vocês não imaginassem, que aquela menininha não iria dar o orgulho que vocês pensavam, talvez vocês não imaginassem que aquela menininha seria inútil e fracassada, assim como eu sou agora, eu tentei ser a melhor filha e acabei sendo a pior, me desculpem. Mãe, eu sei quantas vezes ficou acordada para cuidar de mim a noite, eu sei quantas vezes acordou no meio da noite com o meu choro, e sei o quanto se esforçou por mim, eu sei quantas vezes você se esqueceu de você mesma, para dar o seu melhor para mim. Pai, você também, sempre se esforçou para me criar, derramou gotas de suor no trabalho para poder me alimentar e comprar o que eu queria. Vocês sempre fizeram tudo que podiam por mim, e eu tentei retribuir, tentei ser uma filha perfeita, mas desculpe-me, eu fracassei. Eu me tornei na pior pessoa possível. Talvez, agora vocês devem estar chorando, se perguntando e se culpando por isto que aconteceu, mas depois de alguns meses talvez, vocês vão superar, porque, na verdade, eu sempre vou estar com vocês, de alguma maneira. Guardem só as lembranças boas (se é que existe alguma). Me desculpem, mais uma vez, existia uma guerra dentro de mim, mas nunca ninguém percebeu, e agora, eu estou acabando com tudo. Espero que um dia vocês entendam. Eu amo vocês. Adeus” depois de ter escrito essa carta, fui até a cozinha, peguei todos os comprimidos que vi na frente e tomei, voltei para o quarto e enquanto esperava o efeito dos comprimidos, eu me cortava o quanto eu podia, para que tudo acabasse de uma vez. Já era tarde demais para desistir, os remédios estavam fazendo efeito, e os pulsos estavam rasgados e sangrando muito. Eu senti tudo escurecendo. O tão esperado fim, chegou."


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